Um dos maiores desafios do empreendedor brasileiro é fazer o seu negócio escalar e crescer de forma constante e sustentável.
Dentro desse cenário, uma das dificuldades está em ter uma organização financeira que olhe para as obrigações de curto, médio e longo prazo. Além disso, é necessário criar uma base sólida que permita atender às demandas do negócio, sem comprometer as finanças pessoais.
Nosso objetivo com esse conteúdo é justamente este. Ajudar o empreendedor a organizar sua vida financeira separando as finanças da empresa das finanças pessoais. Continue a leitura e saiba mais!
Por que é importante separar as finanças da PF e da PJ?
Porque ao abrir um CNPJ você passa a ser duas pessoas distintas perante a lei. Isso mesmo, uma pessoa física que possui compromissos que precisam estar em dia. Você possui conta corrente pessoas física, cartão de crédito, investimentos e despesas. Você quer viajar, comer em um bom restaurante, precisa ter um plano de saúde para a família, além de manter uma reserva para os imprevistos do dia a dia. Isso tudo é a sua vida pessoal, ou seja, a sua pessoa física.
Por outro lado, você tem uma organização financeira do CNPJ, que gera recursos a partir do faturamento para sustentar a operação e pagar os sócios. Na contabilidade, chamamos isso de Princípio da Entidade: o patrimônio dos sócios não deve se misturar com o da sociedade. Uma parte da geração de receitas que vem do negócio, devem permanecer na empresa para os compromissos com impostos, folha de pagamento, despesas da operação entre outras.
E assim como na empresa com sócios, uma parte deve estar estipulada para o pró-labore, que é a remuneração do sócio que efetivamente trabalha no dia a dia.
A retirada mensal do pró-labore deve ser feita regularmente da conta da empresa para a conta da Pessoa Física. A partir daí é esse o dinheiro que o empreendedor tem para as suas obrigações pessoais. Além do pró-labore, o empreendedor faz a retirada de lucros e dividendos semestral ou anual conforme especificado em contrato social e dependendo do caixa disponível.
Importante: a partir de 1º de janeiro de 2026, entra em vigor a Lei nº15.270/2025, conhecida como Reforma da Renda. Essa nova lei traz mudanças significativas para a declaração do Imposto de Renda, como:
- A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil por mês e um desconto gradual do imposto para quem ganha entre R$5.000,01 e R$7.350,00 por mês. Essas mudanças afetam diretamente o planejamento para a retirada do pró-labore;
- Nova tributação sobre dividendos e lucros enviados ao exterior, com alíquota fixa de 10%;
- Nova tributação sobre distribuição de lucros e dividendos maiores do que R$50 mil, dentro do mesmo mês, realizados pela mesma pessoa jurídica para a mesma pessoa física, com alíquota fixa de 10%.
- Entre outras regras.
Saiba mais sobre as mudanças neste artigo: “Isenção de Imposto de Renda até 5 mil: o que muda para o profissional PJ e quem declara dividendos?”.
Entender todas as regras que envolvem o pró-labore e a distribuição de lucros, além de separar as finanças pessoais das finanças da empresa, faz com que exista uma organização processual importante, mesmo que a empresa seja individual.
Isso porque não é recomendado que você utilize sua conta pessoal para movimentar recursos da sua empresa, pois a Receita Federal pode questioná-lo pela falta de tributação de receita na PJ e, alternativamente, tributar toda ela na PF com uma alíquota de imposto em geral maior.
A Contabilizei, maior escritório de contabilidade do Brasil, pode ajudar você com a gestão financeira da sua empresa. Para isso, nos unimos com a educadora financeira Suzanna Tenório e preparamos este vídeo exclusivo. Com ele, veja quais são os erros financeiros que profissionais PJs e empreendedores cometem e aprenda como identificar e corrigir esses erros.
Como separar o dinheiro da empresa do pessoal?
Em um segundo momento, é importante ter a clareza que o dinheiro da empresa é da empresa, e o dinheiro pessoal é do empreendedor. O ideal é jamais misturá-los, mesmo que às vezes pareça fácil fazer e depois desfazer.
Para isso é preciso ter uma organização financeira regrada. Atente principalmente para:
- Contas bancárias distintas: tenha uma conta PJ exclusiva para o negócio e uma conta PF para você. Nunca pague o boleto da escola do seu filho direto na conta da empresa, por exemplo. Em casos assim, primeiro transfira o pró-labore, depois pague a conta;
- Cartão de crédito: o cartão pessoa jurídica deve ser utilizado exclusivamente para as compras e despesas da empresa (insumos, anúncios, softwares), enquanto o cartão pessoal fica para as despesas de casa;
- Pix: a chave Pix da empresa deve ser o CNPJ. Evite usar seu CPF ou celular pessoal para receber de clientes, pois isso bagunça o fluxo de caixa e a contabilidade.
Saiba mais sobre gestão financeira e como organizar as finanças da sua empresa neste vídeo preparado pelos nossos especialistas.
Passo a passo do sucesso financeiro do empreendedor
- Faça um diagnóstico real das suas finanças pessoais e da saúde financeira da empresa;
- Tenha sempre relatórios executivos de ambas as realidades (Fluxo de Caixa e DRE – Demonstração do Resultado do Exercício);
- Defina um Pró-labore e planeje as retiradas regulares para a sua conta pessoal
- Separe as contas bancárias e não utilize de maneira inadequada qualquer uma delas
- Separe as despesas pessoais daquelas que são do negócio, especialmente se você trabalha em Home Office (calcule o rateio de luz e internet, por exemplo);
- Tenha uma ferramenta de gestão financeira e siga à risca o planejamento. Inclusive, existem várias gratuitas;
- Conheça as vantagens de ter saúde financeira no seu negócio. Seu negócio vai crescer e você poderá ter uma vida pessoal muito mais interessante.
Como separar as finanças entre sócios e empresário individual?
Neste cenário, as situações são várias. No contexto com sócios, por exemplo, o exercício do pró-labore e distribuição de lucros precisa ser bastante consistente e referendado por todos – sócios administradores e cotistas – para que não haja discordância ao longo do tempo.
Lembre-se que os sócios administradores têm direito à retirada mensal de pró-labore além da distribuição anual ou semestral de lucros, enquanto os sócios investidores ou cotistas, que não exerça nenhuma atividade na empresa, recebem apenas a distribuição.Tudo isso precisa estar em contrato e o gestor administrativo do negócio deve fazer acontecer regularmente.
Já uma empresa individual (EI ou SLU), tende a parecer mais fácil, mas na verdade o cenário se torna mais perigoso pois existe forte tendência a misturar as situações do CNPJ (empresa) com o CPF (pessoa física).
Este é um dos principais motivos de quebra ou dificuldade na manutenção de uma empresa saudável, e, consequentemente, das finanças pessoais do empresário em dia. Juridicamente falando, isso pode caracterizar “Confusão Patrimonial”, o que coloca seus bens pessoais em risco em caso de dívidas da empresa. A disciplina aqui deve ser redobrada.
Então, pronto para fazer a diferença no seu negócio?
Uma das principais dicas para o empreendedor individual ou aqueles que têm sócio é: ouvir a voz da experiência e ter o parceiro certo. Isso ajuda a manter a saúde do seu negócio e das suas finanças consistente.
Muitos empreendedores apreenderam na dor de fazer errado e conseguiram retomar o rumo do sucesso justamente ouvindo outros empreendedores. Não cometa o mesmo erro. Sempre pense no negócio de maneira profissional e aja profissionalmente. Isso faz toda a diferença tanto para as suas finanças pessoais quanto para o CNPJ.
E lembre-se: a Contabilizei está aqui para simplificar o dia a dia de micro e pequenos empreendedores, com soluções que vão muito além da contabilidade. Em casos de dúvidas, fale com um dos nossos especialistas e entenda como podemos ajudar você.
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Escrito por:
Vitor Torres
Vitor Torres é fundador e presidente da Contabilizei desde 2013, quando iniciou uma revolução ao liderar o movimento de desburocratização da contabilidade no país, tendo alcançado a liderança no segmento durante essa jornada. Hoje tem o propósito de simplificar a vida dos micros e pequenos empreendedores e fortalecer o futuro de cada um dos 100 mil clientes da companhia, transformando o cenário do empreendedorismo no Brasil. O executivo é formado em Administração pela Universidade Positivo, possui formação executiva em Liderança em Escala pela INSEAD, realizou um MBA de Administração e Negócios pela Columbia Business School e participou de um Programa de Liderança Executiva em Negócios pela Stanford University Graduate School of Business. Em 2016, foi selecionado como Empreendedor Endeavor. Reúne experiência na área de consultoria e análise de negócios, tendo apoiado de forma pioneira no desenvolvimento do ecossistema de startups.