Mulher empreendedora: qual o significado do seu papel?

| Atualizado em 07/01/22 | 10 minutos de leitura

As características que demarcam com clareza a separação entre o que era território feminino e o que era o espaço masculino estão cada vez mais suavizadas – tornaram-se apenas nuances, jamais barreiras concretas para que um ou outro instale-se no que outrora era impossível em razão de discussões de gênero.

É por isso mesmo que alinhar palavras como empreendedorismo com toda a pujança da mulher brasileira já não é novidade: muitas de nossas grandes expoentes no setor empresarial são mulheres. O universo empresarial, no entanto, ainda causa dúvidas em muitos novos empreendedores, e o espaço feminino deste campo também tem diferentes contextos a serem explorados.

A própria definição de empreendedorismo por vezes fica um tanto confusa para o público em geral. De acordo com Vitor Torres, CEO e fundador da Contabilizei, “empreender é usar o tempo e as suas melhores competências técnicas e comportamentais (soft skills) com autonomia para criar valor, assumindo riscos e aceitando desafios.”. 

E onde é que as mulheres estão encarando estes desafios? Vamos conhecer mais sobre o empreendedorismo feminino neste artigo. Venha conosco.

O que significa ser mulher empreendedora? 

Ser mulher empreendedora significa direcionar tempo e esforço para gerar valor: e isso pode acontecer em diferentes espaços. Diferente do que se pensa normalmente, não é só como empresária que a mulher está exercendo o empreendedorismo, mas também pode fazê-lo ao assumir um cargo de liderança, ao ser a propulsora de iniciativas sociais e culturais, ao estabelecer-se como construtora do seu próprio caminho.

O mundo ainda está transitando entre espaços de liderança completamente masculinos e novas propostas, que incluem também as mulheres nestes papéis. Este equilíbrio está em construção, no mundo dos negócios, na política, no campo científico – em diversos espaços da vida social. Podemos dizer que um dos principais desafios é justamente que o equilíbrio, de fato, está longe de ser alcançado: dados do IBGE (2019) demonstram que as mulheres ocupam apenas 37,4% dos cargos gerenciais e recebem 77,7% do rendimento dos homens.

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O que falar para uma mulher empreendedora? 

Lembre-se sempre de valorizar os esforços que as mulheres estão fazendo para que a nossa sociedade se torne mais igualitária. Muitas vezes, mesmo outras mulheres esquecem de demonstrar a importância de cada ato em favor dessas mudanças, e acabam até mesmo criticando as propostas, boicotando as empreendedoras e suas investidas.

Podemos citar como exemplo uma menina que deseja se tornar jogadora de futebol, profissão por muitos anos restrita ao universo masculino e até hoje ainda menosprezada para os casos femininos. Se a família e os amigos desvalorizarem sua vontade e esforço, ela precisará de mais força ainda para ultrapassar essas barreiras. Pensando no desenvolvimento pleno das capacidades humanas, tanto uma cantora quanto uma jogadora, ou ainda advogadas, médicas, engenheiras – qualquer atividade pode ser a realização mais acertada para o perfil de alguém.  

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O que é o empreendedorismo feminino e quais as principais características? 

Conforme a definição de empreendedorismo que vimos, o termo com a alcunha de feminino somente agrega o fato de que é praticado por mulheres. 

Entre muitas formas de empreendedorismo, o empresarial é um dos mais conhecidos. Muitas mulheres decidem ser donas do próprio negócio e enfrentar o mundo empresarial como empreendedoras – e esse pode ser um caminho muito promissor.

Dados divulgados pelo Sebrae indicam o perfil das donas de negócios de 2021:  têm maior grau de escolaridade do que a população em geral, são jovens e estão mais concentradas no setor de serviços. Outro dado relevante que aparece na pesquisa é que as mulheres dedicam menos horas aos negócios – e isso está em paralelo com a informação de que 49% são chefes de domicílio. Ainda nesse sentido, dados IBGE informam que “em relação a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, as mulheres dedicam quase o dobro de tempo que os homens: 21,4 horas contra 11 horas semanais.”

O que toda mulher empreendedora deve saber?

Ao praticar o empreendedorismo, toda mulher deve saber que é um caminho como outro qualquer: de acertos e de erros. É importante que o planejamento que for feito para que a atividade desejada seja colocada em prática leve em consideração as necessidades da empreendedora, justamente para que os momentos de dificuldades se tornem aprendizado, e não questões constrangedoras ou mesmo que afetem a própria sobrevivência financeira daquela que ali se inseriu.

Por exemplo, ao investir em um novo negócio, é importante saber que há um período inicial, por vezes longo, em que só há despesas e não há lucro – é um momento de reconhecer se o que foi planejado para aquele negócio faz sentido, se há espaço para mudanças que possam alavancar as atividades de modo mais correto, entre outras avaliações. Por isso mesmo, antes de começar a empreender é preciso avaliar qual o montante de capital necessário não somente para o investimento em produtos, equipamentos, contratações – mas também o investimento para sustento da empreendedora enquanto o negócio vai ganhando forma. 

Por isso mesmo, é importante planejar o investimento em um negócio e contar ainda com um escritório de contabilidade que possa lhe auxiliar com toda a abertura da empresa – hoje você já conta inclusive com opção de contador online, o que é uma facilidade enorme para o seu dia-a-dia (especialmente para quem tem dupla jornada). 

O que uma mulher precisa para empreender? 

Conforme a definição de empreendedorismo que vimos, a base para que alguém possa empreender está em identificar seu potencial na criação de uma proposta – conhecer quais são as suas principais características, e como elas podem ser embarcadas no projeto que você quer desenvolver.

Como exemplo, podemos avaliar que alguém que se torna professora identificou em si uma inclinação para o ensino, com características como paciência, curiosidade, interesse por estudos continuados. Da mesma forma, uma professora que já tem essas características claras para si mesma pode direcioná-las para um negócio próprio: esse interesse por estudos continuados, por exemplo, pode ser um diferencial estratégico na hora de se posicionar em um mercado de consultoria.

Todas as mulheres que desejarem podem, sim, empreender. O mais bacana do empreendedorismo é que ele não tem regras fixas sobre o tipo de ação que pode ser feito: não se trata apenas de abrir uma empresa, mas também pode ser uma investida social, juntar-se a uma franquia, aliar-se a uma rede de mulheres que tem vontade de discutir assuntos específicos do seu cotidiano – as oportunidades são muitas. 

Como promover o empreendedorismo feminino? 

Embora venha crescendo, o empreendedorismo feminino ainda precisa de impulso – da sociedade como um todo! Isso porque ainda há recantos do país onde a cultura da mulher empoderada não chegou com a força necessária. Isso mesmo, reconhecer aquela que é dona da sua própria vida e tem capacidade individual de se desenvolver, não precisando do aval de outros para empreender, ainda não é bem aceito em todas as comunidades, nichos sociais, pequenos municípios: e é sobre isso que se trata promover o empreendedorismo feminino.

Desde pequenas, já na escola, muitas meninas aprendem que seu caminho e suas perspectivas são diferentes das dos meninos: muitas acreditam ainda que apenas o papel de acolhimento materno é realmente uma vocação de seu gênero. Não é preciso negar que a maternidade é um dos principais valores na vida feminina, mas assim como a paternidade também é de extrema importância para os homens, não há restrições para que se escolha diferentes formas de viver – inclusive tendo a possibilidade de escolher ter ou não filhos. 

No ambiente empresarial, muitas vezes as empreendedoras ainda enxergam a necessidade de romper com valores vinculados ao feminino para afirmarem-se na dinâmica masculina. Ao dar força ao projeto feminino no empresariado, as próprias mulheres se dão conta da necessidade de que se compreenda que são vários os papéis possíveis, e o mais importante é que cada garota perceba que poderá investir sua vontade onde lhe parecer mais pujante.

Porque apoiar o empreendedorismo feminino? 

Da mesma forma como o contexto atual permite que compreendamos que cada indivíduo deve ser plenamente desenvolvido para que possa alcançar seu próprio bem-estar, o empreendedorismo feminino é uma forma de demonstrarmos para todas as mulheres, desde meninas, que há espaço para que invistam em carreiras individuais, sem necessidade de aval de outros pares para isso.

Além dessa questão, é importante lembrarmos ainda que o desenvolvimento de novos negócios passa por diversos perfis de pensamento, e é crucial que tenhamos também mulheres na criação destas possibilidades – englobando a população como um todo neste movimento.

Quais os desafios do empreendedorismo feminino? 

Assim como em todas as profissões, quando uma mulher resolve empreender ela pode receber certos julgamentos desnecessários, que podem desestimular sua capacidade de pensamento próprio. Isso acontece, conforme falamos, porque a cultura de aceitação deste papel feminino ainda está em processo, em transição. 

Então, além de precisar se planejar corretamente para alavancar um negócio, como qualquer outra pessoa que investe nesse sentido, as mulheres precisam ainda enfrentar as barreiras culturais. Em determinados tipos de propostas, de cunho mais masculino, o esforço é dobrado. 

Como está o empreendedorismo feminino no Brasil? 

Todas as estatísticas ainda apontam um árduo caminho a ser trilhado pelas mulheres para que seja possível maior igualdade entre os gêneros nas atividades da vida social. 

Na política, que é um dos caminhos considerados empreendedores para mulheres, o IBGE informa que em 2020 as mulheres eram 14,8% dos deputados federais, a menor proporção da América do Sul. Entre os vereadores eleitos, 16% eram mulheres.

Em relação aos cargos gerenciais, como já vimos, apenas 37,4% constaram como ocupados por mulheres em 2019 – mas aqui fica claro que há mudanças acontecendo, uma vez que na análise de pessoas de 60 anos ou mais, as mulheres representam apenas 32,6% dos ocupantes de cargos gerenciais. 

Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), 72% das empreendedoras são total ou parcialmente independentes quanto às finanças. Entre as participantes deste estudo em 2021, 42% tiveram seus pedidos de crédito negados – dado que precisa ser tratado com seriedade para potencializar as investidas femininas no mundo dos negócios.

Qual a porcentagem de mulheres que empreendem no Brasil?

De acordo com dados do Sebrae, havia 8,6 milhões de mulheres à frente de empresas no Brasil no terceiro trimestre de 2020. Esse dado confere o percentual de 33,6% do total de empresários no País no período. 

Embora em franco crescimento, outros campos onde se considera o empreendedorismo feminino também conjugam os mesmos resultados: ainda é preciso avançar.

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Vitor Torres - CEO e fundador da Contabilizei

Escrito por:

Vitor Torres - CEO e fundador da Contabilizei

Vítor é Administrador de Empresas, Empreendedor Endeavor, CEO e fundador da Contabilizei, o primeiro e maior escritório de contabilidade online do país. Vítor lidera a maior inovação da indústria contábil das últimas décadas ao levar a contabilidade de pequenas empresas para o mundo digital. Atualmente, Vítor lidera mais de 400 fanáticos em contabilidade que impactam positivamente a vida de mais de 20.000 empresários no país.

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